Thiago Khoury

O clique do primeiro lugar caiu 58% onde a IA responde

Onde o Google mostra AI Overview, o primeiro resultado orgânico perde até 58% dos cliques, segundo a Ahrefs, com dados de dezembro de 2025. Era 34,5%.

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A Ahrefs refez um estudo que ela mesma tinha publicado em 2025, com dados novos, e o número piorou de um jeito que muda a conversa: a queda de cliques do primeiro colocado saiu de 34,5% para até 58% onde existe resposta gerada.

O que a Ahrefs mediu, e como

O estudo original pegou 300 mil palavras-chave, metade com AI Overview na página de resultados e metade de intenção informacional sem AI Overview, e comparou a taxa média de cliques de março de 2024 com março de 2025, usando dados agregados do Search Console.

Nas buscas com AI Overview, a taxa de cliques do primeiro resultado caiu de 7,3% para 2,6%. Comparada às buscas parecidas sem resposta gerada, a diferença deu os 34,5%.

Depois disso a Ahrefs rodou tudo de novo com dados de dezembro de 2025, mesma amostra de 300 mil palavras-chave, e a diferença chegou a 58%.

Em oito meses, a perda quase dobrou. Esse é o dado.

O que o número quer dizer, e o que ele não quer

Um cuidado, porque esse número vai circular torto esta semana.

Não é “o tráfego orgânico caiu 58%”. A medida é da taxa de cliques do primeiro colocado, em buscas de intenção informacional, comparada com buscas parecidas sem resposta gerada. Busca transacional, de marca e de navegação se comportam de outro jeito.

É uma medida de quanto a resposta pronta resolve a pergunta antes do clique. E o recorte informacional é justamente onde mora quase todo conteúdo de blog corporativo.

Por que isso quebra o relatório mensal

O estrago prático não é a perda em si. É que a posição parou de significar o que significava.

Passei anos apresentando relatório em que subir de terceiro para primeiro lugar tinha um valor previsível. Contei essa lógica em A era de ouro do tráfego, quando o clique custava centavos e a conta fechava sozinha.

Agora o mesmo primeiro lugar entrega volumes muito diferentes conforme a busca acione ou não uma resposta gerada. Duas palavras-chave com o mesmo volume declarado e a mesma posição podem render tráfegos que diferem pela metade. O relatório continua verde e a receita não aparece.

O que passa a valer como medida

Três coisas que eu passei a olhar, e nenhuma delas é posição:

Quantas das suas palavras-chave acionam resposta gerada. É a exposição real ao problema, e ela varia brutalmente por setor.

Se a sua marca aparece dentro dessa resposta. Ranquear e ser citado são coisas diferentes, e a sobreposição entre as duas é menor do que o mercado imagina, como mostrei em A diferença entre SEO e GEO.

A variação de presença na resposta ao longo do tempo, medida contra uma linha de base fixada antes de começar. Sem esse ponto de partida, qualquer resultado depois vira anedota, e escrevi sobre isso em Investir em GEO vale a pena?.

Vale ler junto com o outro número da semana, medido por caminho diferente e chegando ao mesmo lugar: o tráfego de busca caiu um terço no mundo em doze meses.

A posição não morreu. Ela virou uma medida entre outras, e sozinha passou a mentir.

Perguntas frequentes

Quanto o AI Overview do Google reduz os cliques do primeiro resultado?
Segundo a Ahrefs, com dados de dezembro de 2025 sobre 300 mil palavras-chave, a presença de um AI Overview na página de resultados foi associada a uma taxa de cliques até 58% menor para o primeiro colocado, comparada a buscas informacionais parecidas sem AI Overview.
Esse número era diferente antes?
Era. Em abril de 2025 a mesma Ahrefs mediu 34,5% de queda, com a mesma amostra de 300 mil palavras-chave, comparando março de 2024 com março de 2025. Em oito meses a perda quase dobrou.
Continuar em primeiro lugar no Google ainda vale a pena?
Vale, e continua sendo uma das fontes mais rentáveis da internet comercial. O que mudou é que a posição deixou de ser boa medida sozinha: o mesmo primeiro lugar entrega volumes muito diferentes conforme a busca acione ou não uma resposta gerada.