Investir em GEO vale a pena? O que os dados realmente mostram
Sem número inventado: o que a McKinsey, a Semrush e os estudos de citação permitem afirmar sobre o retorno de otimizar uma marca para inteligência artificial.
Por Thiago Thomaz Khoury da Silva
Neste artigo
- O tamanho do que está em jogo
- A lacuna brasileira, essa sim medida
- Por que o seu site sozinho pode não resolver
- Como eu meço se está funcionando
- Meu veredito
Vou começar por onde quase ninguém começa quando o assunto é GEO: dizendo o que não dá para afirmar.
Não existe, hoje, um estudo confiável que diga qual é o retorno médio de investir em otimização para inteligência artificial. Circulam números de participação de mercado e de retorno que, quando você rastreia a origem, terminam numa página de venda de alguma agência, sem metodologia e sem amostra. Eu não uso esse tipo de dado, e recomendo que você desconfie de quem usa.
O que existe são três coisas medidas. Elas bastam para tomar a decisão.
O tamanho do que está em jogo
Nos vinte anos que descrevi em De sites em Flash às IAs generativas, vi empresas grandes derreterem por conservadorismo. Em A evolução do e-commerce contei o caso dos lojistas que resistiram a migrar para a internet e perderam fatia que nunca recuperaram.
Para saber se a inteligência artificial é moda ou virada estrutural, o caminho mais seguro é olhar para onde o dinheiro é projetado. O relatório The economic potential of generative AI, do McKinsey Global Institute, estimou que a tecnologia pode gerar valor equivalente a 2,6 a 4,4 trilhões de dólares por ano, somando 63 casos de uso em 16 funções de negócio.
Um cuidado com esse número, porque ele é muito citado errado: o relatório é de junho de 2023 e fala de valor potencial em casos de uso, não de faturamento realizado nem de tamanho de mercado. Ainda assim, serve ao propósito aqui, que é dimensionar a ordem de grandeza da mudança.
A lacuna brasileira, essa sim medida
O argumento mais forte para agir agora não é uma projeção. É uma medição.
O estudo Ghost Citations, da Semrush, mediu com que frequência marcas são nomeadas dentro das respostas generativas. Na Índia e na Suécia, o índice fica em torno de 50%. No Brasil, entre 18% e 22%.
O mesmo estudo trouxe algo ainda mais desconfortável: uma parcela grande das citações é o que eles chamam de citação fantasma, em que a plataforma usa a página como fonte mas o nome da marca nunca aparece no texto que a pessoa lê. Você alimenta a resposta e outro leva o crédito.
Isso é o que sustenta a tese da janela aberta. Não porque alguém contou quantas empresas brasileiras fazem GEO, mas porque dá para medir que as marcas daqui aparecem menos da metade do que aparecem em outros mercados do mesmo porte.
Por que o seu site sozinho pode não resolver
O estudo de citações da DeltaV Digital analisou 21.075 respostas de inteligência artificial entre abril e julho de 2026, em oito setores. O resultado que interessa aqui é a variação: em ensino superior, 74,7% das citações vieram do domínio da própria instituição. Em tecnologia B2B, o site da própria empresa não entrou nem entre os trinta domínios mais citados da categoria.
São oito marcas, é pouco, e eu não vou transformar isso em regra. Mas a leitura prática é útil: antes de decidir quanto investir, descubra de onde a máquina tira as respostas na sua categoria. Em alguns setores o trabalho é no seu próprio site. Em outros, o seu site é o lugar menos relevante para investir.
Como eu meço se está funcionando
Métrica sem linha de base é história. O método que eu uso é simples e auditável:
- Antes de qualquer execução, fixo um conjunto de perguntas reais que os clientes daquela empresa fazem às IAs.
- Rodo essas perguntas e registro quantas vezes a marca aparece, em quais plataformas e citada por qual fonte. Normalmente esse número inicial é muito baixo ou zero.
- Repito exatamente as mesmas perguntas em intervalos regulares, e comparo.
O que importa não é tráfego. É variação de presença na resposta, medida contra o ponto de partida. Quem não fixa a linha de base antes de começar não consegue provar nada depois, e é exatamente por isso que esse mercado está cheio de resultado sem prova.
Meu veredito
Comecei vendendo site em Flash como estagiário, em 2005. Vivi a era barata do tráfego pago, as madrugadas de lançamento de aplicativo e a consolidação do comércio eletrônico. Reconheço o padrão: tecnologia nova chega, o mercado tenta usá-la com a lógica da anterior, e quem entende a mudança de comportamento primeiro sai na frente.
Vale a pena? Vale, quando o seu cliente pesquisa antes de decidir e o ticket comporta o esforço. Não vale como fé. Vale como o que dá para medir, e o que dá para medir hoje é a distância entre a sua marca aparecendo ou não na resposta.
A diferença técnica entre os dois campos está em A diferença entre SEO e GEO.
Perguntas frequentes
- Investir em GEO vale a pena?
- Vale quando a decisão de compra do seu cliente passa por pesquisa e comparação, e quando o ticket é alto o suficiente para justificar o esforço. O argumento não é uma projeção de retorno, e sim uma lacuna medida: o estudo Ghost Citations, da Semrush, apontou que marcas brasileiras são citadas em 18% a 22% das respostas generativas, contra cerca de 50% na Índia e na Suécia.
- Como se mede o retorno de uma estratégia de GEO?
- Pela variação de presença nas respostas, não por tráfego. O método que eu uso é fixar um conjunto de perguntas reais dos clientes, medir quantas vezes a marca aparece nas respostas antes de começar, e repetir a mesma medição em intervalos regulares. Sem essa linha de base inicial, qualquer resultado depois vira anedota.
- Quanto a inteligência artificial generativa movimenta na economia?
- O relatório The economic potential of generative AI, do McKinsey Global Institute, publicado em junho de 2023, estimou que a tecnologia pode gerar valor equivalente a algo entre 2,6 e 4,4 trilhões de dólares por ano, somando 63 casos de uso em 16 funções de negócio.