A evolução do e-commerce: da 1ª loja a mais de 100 operações
Do código escrito à mão numa loja de suplementos ao gerenciamento de mais de cem operações ativas, com os dados reais do crescimento do e-commerce brasileiro.
Por Thiago Thomaz Khoury da Silva
Neste artigo
- O cenário antes da banda larga
- O parto tecnológico da primeira loja
- A explosão do mercado em números
- Escala e maturidade: mais de 100 lojas ativas
- A intersecção com o tráfego e a era mobile
Vender um produto pela internet hoje é um processo fluido e transparente. Com alguns cliques o consumidor escolhe a cor, paga com reconhecimento facial e rastreia o pacote até a porta de casa. Mas para quem trabalha com tecnologia desde os primórdios da web comercial, o e-commerce brasileiro já foi um território inóspito, dominado pela desconfiança.
Como mencionei em De sites em Flash às IAs generativas, a internet passou de vitrine estética para o maior motor de vendas do planeta. Neste texto mergulho nos dados do mercado e mostro como saí da programação manual de uma única loja de suplementos para o gerenciamento de mais de cem operações de comércio eletrônico.
O cenário antes da banda larga
Nos anos 2000, o maior concorrente de uma loja virtual não era outra loja: era o medo do consumidor. Inserir os dados do cartão de crédito num site exigia um ato de fé. Não existiam carteira digital blindada nem pagamento instantâneo. Boa parte das transações dependia de boleto gerado manualmente, que levava até três dias úteis para compensar.
O parto tecnológico da primeira loja
Minha entrada no universo transacional foi com um e-commerce de suplementos alimentares. Naquela época não havia plataforma configurável em cinco minutos. Construir uma loja significava escrever o código do zero, hospedar em servidor instável e implorar aos bancos por um gateway de pagamento que vivia saindo do ar.
O cálculo de frete era outro pesadelo. Dependíamos de tabelas estáticas dos Correios que precisavam ser atualizadas manualmente no banco de dados. Cada venda concluída era comemorada como um milagre, porque a fricção no checkout era monumental.
A explosão do mercado em números
A partir da abertura do meu CNPJ em 2010, o mercado sofreu uma mutação acelerada. Para dar dimensão: o relatório Webshoppers, da Ebit, mostra que o e-commerce brasileiro faturou R$ 14,8 bilhões em 2010. Logística e confiança eram as barreiras visíveis.
Saltando para o cenário atual, a projeção da ABComm para 2025 é de aproximadamente R$ 235 bilhões, cerca de dezesseis vezes mais. Essa explosão não aconteceu só porque as pessoas perderam o medo de comprar, mas porque a tecnologia dos bastidores atingiu outro patamar.
Escala e maturidade: mais de 100 lojas ativas
Com a evolução das plataformas em nuvem, o papel da agência mudou. Deixamos de ser construtores de código para atuar como arquitetos de performance e escalabilidade. Hoje operamos no desenvolvimento e na manutenção de mais de cem lojas ativas, com infraestrutura que aguenta pico de acesso em Black Friday sem o servidor piscar, integrando ERP, CRM e logística automatizada.
A prova dessa maturidade está nos projetos que operam no nível mais alto de exigência visual e transacional do varejo de moda, como as lojas Pantufofas e ByBag. Nessas operações, a interface e a experiência do usuário são calculadas para reduzir abandono de carrinho: vitrine dinâmica, carregamento quase instantâneo e checkout transparente. O contraste entre essas plataformas e a minha primeira loja de suplementos é a prova de que a tecnologia democratizou a venda em escala.
A intersecção com o tráfego e a era mobile
Uma loja virtual impecável não sobrevive sem oxigênio, e o oxigênio do comércio eletrônico é o tráfego qualificado. Construir o canal de vendas foi só o primeiro passo. O segundo foi dominar a compra de mídia, assunto de A era de ouro do tráfego.
Outro fator que mudou a nossa base de e-commerces foi a virada do tráfego para o celular. A quebra dessa objeção de consumo está ligada à maturidade que alcançamos ao desenvolver o aplicativo da Crefisa, jornada detalhada em A revolução mobile.
Conclusão
Lançar a primeira loja de suplementos foi um laboratório doloroso e necessário. Escalar para mais de cem operações ativas exigiu profissionalização, resiliência e adaptação constante. O e-commerce deixou de ser vitrine estática para virar um organismo vivo, alimentado por dados, logística rápida e, muito em breve, personalização via inteligência artificial.
Thiago Thomaz Khoury da Silva, empresário de tecnologia desde 2010.
Perguntas frequentes
- Quanto o e-commerce brasileiro cresceu desde 2010?
- Segundo o relatório Webshoppers, da Ebit, o setor faturou R$ 14,8 bilhões em 2010. A projeção da ABComm para 2025 é de aproximadamente R$ 235 bilhões, cerca de dezesseis vezes mais em quinze anos.
- O que mudou na construção de uma loja virtual desde os anos 2000?
- Praticamente tudo. Nos anos 2000 era preciso escrever o código do zero, hospedar em servidor instável, negociar gateway de pagamento e atualizar tabela de frete dos Correios na mão. Hoje plataformas em nuvem resolvem a base, e o trabalho passou a ser de arquitetura, performance e integração.
- Quantas operações de e-commerce Thiago Khoury já gerenciou?
- Mais de cem lojas ativas, entre desenvolvimento e manutenção, com infraestrutura preparada para picos de acesso em datas como a Black Friday e integração entre ERP, CRM e logística.