Thiago Khoury

A IA gera tráfego para o meu site? A Semrush mediu 0,48%

Quase nada: 0,48% das sessões de sites industriais vieram de IA entre janeiro e julho de 2026, mediu a Semrush. Por que isso não mede a influência dela.

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A inteligência artificial manda muito pouco tráfego. Entre janeiro e julho de 2026, 0,48% de todas as sessões de sites industriais americanos vieram de ferramentas de IA, mediu a Semrush em estudo publicado em 8 de setembro de 2026. O erro que vou ver o mercado cometer com esse dado é concluir que a IA, então, não importa.

O que a Semrush mediu, e em que setor

O estudo é específico, e isso é uma qualidade. Ele não fala da internet inteira: olha o setor industrial e de manufatura nos Estados Unidos, entre janeiro e julho de 2026, cruzando três bases.

A primeira pegou as mil principais palavras-chave de vinte domínios do setor e filtrou 458 delas, onde pelo menos dois domínios disputavam as primeiras posições. A segunda mediu, por dados de navegação, de onde vinham as sessões desses sites em dez categorias industriais. A terceira acompanhou menções e citações de marcas dentro do ChatGPT, do Gemini, do AI Mode e dos AI Overviews.

O resultado de canal foi esse: as ferramentas de IA somadas ficaram em 0,48% das sessões, enquanto tráfego direto e busca orgânica juntos responderam por quase 80%.

Se você olhar só essa linha, a conclusão parece óbvia: a IA não está trazendo ninguém, logo não vale o esforço. É aqui que a leitura descarrila.

O número que cresceu no mesmo período

No mesmo estudo, no mesmo intervalo, os AI Overviews saíram de 38% do volume de busca acompanhado em janeiro de 2026 para 57% em julho.

Leia as duas frases juntas, porque elas são a matéria toda: a resposta gerada passou a aparecer em mais da metade das buscas do setor, e o encaminhamento de visitas ficou em meio por cento.

Não são dois fatos em conflito. São o mesmo fato visto de dois lados. A resposta gerada ocupa mais espaço justamente porque resolve a dúvida ali, sem repassar o clique. Foi exatamente o que a Ahrefs mediu por outro caminho, e eu detalhei em o clique do primeiro lugar caiu 58%.

Por que o relatório não vê o que a IA faz

Aqui a leitura é minha, não do estudo, e eu prefiro deixar isso claro.

Nos meus dezenove anos de mercado digital, todo canal novo passou por uma fase em que ele já influenciava a venda antes de conseguir provar isso. Aconteceu com rede social, aconteceu com vídeo. Está acontecendo de novo, e o mecanismo é este:

O comprador pergunta à IA qual fornecedor considerar. A resposta cita três nomes. Ele não clica em nada: pega um dos nomes, vai ao buscador e pesquisa a marca, ou digita o endereço direto. Essa sessão chega ao seu relatório como orgânica de marca ou como direta.

O estudo da Semrush nomeia esse efeito citando Gaetano DiNardi, que chama a coisa de funil escuro do SEO: a visibilidade em IA influencia a pesquisa do comprador, só não é fácil de rastrear como o orgânico tradicional.

Repare onde foram parar as sessões nesse estudo: quase 80% em direto e orgânico. Direto é o canal que, em tese, significa “já conhecia a marca”. Minha aposta é que parte dele é pesquisa que começou em outro lugar e chegou sem etiqueta.

Ser mencionado e ser citado não é a mesma coisa

Tem um segundo achado no estudo que eu considero mais acionável que o 0,48%, e quase ninguém vai reparar nele.

A Semrush montou duas listas: as quinze marcas mais mencionadas pelas IAs e as quinze mais citadas como fonte. Só duas marcas aparecem nas duas listas, a Vevor e a Grainger.

Menção é a IA escrever o seu nome no texto que a pessoa lê. Citação é a IA usar a sua página como fonte. São coisas diferentes, e o estudo mostra que quem consegue uma raramente consegue a outra.

Isso reforça uma distinção que é a base do trabalho, e sobre a qual escrevi em a diferença entre SEO e GEO: ranquear, ser citado e ser recomendado são três disputas separadas. Ganhar uma não entrega as outras duas.

O que esse número não diz

Três ressalvas, porque esse dado vai virar manchete torta.

Não é a média da internet. É manufatura e setor industrial, nos Estados Unidos. Comércio eletrônico, turismo e serviço profissional têm comportamento diferente, e o próprio mercado já mediu crescimentos altos de encaminhamento em varejo.

Não é medida de vendas. É medida de sessão, e sessão nunca foi receita.

Não prova que a IA influencia a compra. Prova que ela aparece muito e encaminha pouco. A ponte entre as duas coisas é leitura, minha e do analista citado no estudo, e eu não vou vendê-la como número.

Vale ler junto com a queda medida por caminho independente em o tráfego de busca caiu um terço no mundo.

Onde isso deixa você

Se você mede GEO pela linha de encaminhamento do seu relatório, vai concluir que não funciona, e vai desligar o trabalho no ano errado.

O que eu faço em vez disso: fixo as perguntas reais que os clientes daquela empresa fazem às IAs, meço quantas vezes a marca aparece nas respostas antes de começar, e repito a mesma medição em intervalos. Junto disso, acompanho volume de busca pelo nome da marca e a linha de tráfego direto, que é onde o efeito reaparece disfarçado.

O método completo, com o que dá e o que não dá para provar hoje, está em investir em GEO vale a pena.

Meio por cento é o tamanho do que você consegue enxergar. Não é o tamanho do que está acontecendo.

Perguntas frequentes

Quanto tráfego a inteligência artificial manda para os sites?
Muito pouco, quando se mede pelo que aparece no relatório. A Semrush mediu que 0,48% de todas as sessões de sites industriais americanos vieram de ferramentas de IA entre janeiro e julho de 2026. No mesmo estudo, tráfego direto e busca orgânica somaram quase 80% das sessões.
Se a IA manda pouco tráfego, ela é irrelevante para vendas?
Não, e confundir as duas coisas é o erro mais caro do momento. No mesmo período em que o encaminhamento ficou em 0,48%, a presença de AI Overviews subiu de 38% para 57% do volume de busca acompanhado pela Semrush. A exposição cresceu; o que não cresceu foi a parte dela que o seu relatório consegue enxergar.
Por que o tráfego vindo da IA não aparece no Analytics?
Porque boa parte da jornada termina fora do clique. A pessoa pergunta à IA, recebe o nome de uma marca e depois procura essa marca no buscador ou digita o endereço direto. A sessão chega rotulada como direta ou orgânica, e a influência da IA fica sem registro. Gaetano DiNardi, citado no estudo da Semrush, chama isso de funil escuro do SEO.