O Google vai mostrar mais links na resposta da IA?
Vai: o Google anunciou cinco mudanças em 15 de outubro de 2026 para dar mais espaço a links dentro da resposta da IA. Sem nenhum dado de clique.
Por Thiago Thomaz Khoury da Silva
Neste artigo
- O que o Google anunciou em 15 de outubro
- O número que falta no anúncio
- Duas das cinco mudanças são teste
- O Preferred Sources cresceu 7 vezes
- Por que eu não mudo o plano por causa disso
- Onde isso deixa você
Vai. Em 15 de outubro de 2026 o Google publicou um post listando cinco mudanças para dar mais espaço aos links dentro das respostas geradas na busca. O que esse post não traz é um número de clique sequer, e é justamente aí que está a notícia.
O que o Google anunciou em 15 de outubro
O texto é assinado por Hema Budaraju, vice-presidente de produto, e lista cinco coisas.
A primeira: o Google diz ter feito aumentos continuados e substanciais na presença dos links dentro do próprio texto da resposta, e agora está lançando uma atualização para exibir esses links mais acima e com mais frequência.
A segunda: um teste de um bloco no topo da resposta para os sites oficiais, naqueles casos em que existem um ou dois endereços certos para resolver a tarefa. Cada link vem com um contexto explicando por que aquele site é útil.
A terceira: os carrosséis de matérias recentes, que também destacam as fontes preferidas do leitor, começam a chegar a mais países e idiomas.
A quarta: os links de leitura relacionada que aparecem no fim de algumas respostas ganham miniatura de imagem e um desenho mais convidativo ao clique.
A quinta: um teste que torna clicável o nome de quem assina o vídeo, criador ou veículo, levando ao perfil dele dentro da busca, no AI Mode.
Repare numa coisa já nessa lista: o Google escreve “aumentos continuados e substanciais” e não diz de quanto para quanto.
O número que falta no anúncio
Procurei no post um dado de clique, de visita ou de taxa de cliques. Não existe.
Isso importa porque é exatamente a conta que o mercado está tentando fechar há dois anos. Onde o Google responde na própria página, o primeiro resultado orgânico perde até 58% dos cliques, como detalho em O clique do primeiro lugar caiu 58%. No mundo todo, o tráfego vindo da busca caiu um terço em doze meses, segundo mediu o Digital News Report, e eu destrincho isso em O tráfego de busca caiu um terço no mundo.
Contra perdas medidas em dezenas por cento, o anúncio responde com mudanças de interface e nenhuma medição. Não é desonestidade: é o Google sendo coerente com a política dele de nunca abrir dado de clique das funcionalidades de IA. Só não dá para chamar isso de reposição de tráfego enquanto ninguém publicar quanto voltou.
Duas das cinco mudanças são teste
Vale separar o que já está acontecendo do que ainda é experimento, porque a manchete junta tudo.
Já está em curso: o aumento dos links dentro do texto e a subida deles na resposta. Começando a sair: os carrosséis de matérias, que pelo post estão começando a ser liberados para mais países e idiomas. O Google não nomeou quais, então ninguém pode afirmar hoje que o Brasil está na lista.
Ainda é teste: o bloco de sites oficiais no topo e o nome clicável do criador. Teste no Google quer dizer que pode virar produto, pode mudar de forma ou pode simplesmente sumir. Já vi os três desfechos.
A consequência prática é chata e simples: não se monta plano de conteúdo em cima de um teste. Se o bloco de sites oficiais virar padrão, ele muda bastante o jogo de quem tem o endereço canônico de um serviço. Enquanto for teste, é observação, não tarefa.
O Preferred Sources cresceu 7 vezes
A única estatística do post inteiro é esta: o número de pessoas que usam o Preferred Sources cresceu mais de 7 vezes desde o começo do ano.
O Preferred Sources é o recurso em que a pessoa clica na estrela ao lado do bloco de notícias e escolhe quais sites quer ver com mais frequência. Em 30 de abril de 2026, quando liberou o recurso globalmente, o Google informou mais de 200 mil sites únicos já escolhidos e afirmou que o leitor tem o dobro de chance de clicar num site depois de marcá-lo como fonte preferida.
Guarde esse detalhe, porque ele é o mais acionável do anúncio: o único caminho citado com efeito declarado sobre clique depende de o seu leitor te escolher de propósito. Não é algo que se conquista escrevendo melhor um título. É relacionamento, e por isso cabe pedir, na newsletter e nas redes, que quem já gosta do seu conteúdo marque o seu site.
Por que eu não mudo o plano por causa disso
Aqui a leitura é minha, e eu prefiro deixar marcado.
Em dezenove anos de mercado digital brasileiro, vi várias vezes uma plataforma devolver espaço depois de tomar espaço. Rede social fez isso com alcance orgânico, loja de aplicativo fez com destaque editorial. O padrão se repetiu: o que volta é menor do que o que saiu, e vem na forma que serve à plataforma, não ao site.
Tem ainda um contraponto da mesma semana. Uma semana antes, o Google documentou um canal para receber post de fórum e de rede social em minutos, o que eu conto em O Google prioriza fórum e rede social na busca?. Ou seja: ao mesmo tempo em que promete mais links para quem publica, ele acelera a entrada de conteúdo de terceiros que disputa o mesmo espaço na resposta.
Por isso eu não mexo no plano. Link mais visível continua sendo link, e link só vale quando clicado. Enquanto não houver número, isso é promessa de interface.
Onde isso deixa você
Três coisas que eu faria esta semana, e nenhuma delas é refazer o site.
Primeiro, anote a data de hoje na sua planilha de tráfego orgânico. Se os links mais visíveis realmente devolverem visita, você vai precisar de um antes para provar. Sem marco, daqui a três meses ninguém vai saber dizer se mudou algo.
Segundo, peça aos seus leitores fiéis que marquem o seu site como fonte preferida. É o único ponto do anúncio com efeito sobre clique declarado pelo próprio Google.
Terceiro, não confunda aparecer com ser visitado. A IA respondeu por apenas 0,48% das sessões no setor industrial americano, número que destrincho em A IA gera tráfego para o meu site?. Mais links na resposta mexem nesse número, mas ninguém ainda disse quanto.
E se você está chegando agora nessa discussão, a base de tudo está em Qual é a diferença entre SEO e GEO?: posição na lista e citação dentro da resposta são disputas separadas, e este anúncio mexe só na segunda.
Perguntas frequentes
- O Google vai mostrar mais links dentro da resposta da IA?
- Vai. Em 15 de outubro de 2026 o Google publicou no blog oficial um post com cinco mudanças nesse sentido: links dentro do texto exibidos mais acima e com mais frequência, carrosséis de notícia chegando a mais países e idiomas, links de leitura relacionada com miniatura, um teste de bloco com sites oficiais no topo da resposta e um teste de nomes clicáveis de criador e de veículo no AI Mode.
- O Google disse quanto tráfego esses links devolvem?
- Não disse. O post de 15 de outubro de 2026 não traz nenhum dado de clique, de visita ou de taxa de cliques. A única estatística do texto é que o uso do recurso Preferred Sources cresceu mais de 7 vezes desde o começo do ano, e isso mede adesão a uma personalização, não visita encaminhada para sites.
- O que é o Preferred Sources do Google?
- É o recurso que deixa a pessoa escolher quais sites aparecem com mais frequência no bloco de notícias da busca, pela estrela ao lado do Top Stories. Em 30 de abril de 2026 o Google informou mais de 200 mil sites únicos já escolhidos pelos usuários e afirmou que o leitor tem o dobro de chance de clicar num site depois de marcá-lo como fonte preferida.