A IA responde quando buscam a minha marca? Em 83%
Sim: 82,91% das buscas por marca no Google americano mostraram AI Overview em 29 de setembro de 2026, mediu a Ahrefs. Em julho eram 61,3%.
Por Thiago Thomaz Khoury da Silva
Neste artigo
- O que a Ahrefs mediu
- A virada: a busca por marca era a que escapava
- Quem responde por você: Wikipédia, YouTube e LinkedIn
- O medo que não se confirmou
- O que esse número não diz
- Onde isso deixa você
Quando alguém digita o nome da sua empresa no Google, quem responde primeiro já não é você. Em 29 de setembro de 2026, 82,91% das buscas por marca no Google americano mostravam um AI Overview, mediu a Ahrefs. Em julho eram 61,3%.
Isso é diferente de tudo que a gente vinha discutindo aqui, e explico por quê.
O que a Ahrefs mediu
O estudo saiu em 2 de outubro de 2026, assinado por Ryan Law, e tem tamanho de amostra declarado: 232,8 milhões de rastreamentos de resultados do Google americano em desktop, entre julho e setembro de 2026. Desses, 92,5 milhões de buscas com marca e 140,2 milhões sem marca.
As médias mensais das buscas com marca subiram assim:
- julho: 61,3%
- agosto: 65,1%
- setembro: 73,3%
E a leitura pontual, de 29 de setembro, deu 82,91%. Doze pontos percentuais de alta em três meses, o equivalente a crescer cerca de 20% sobre a base de julho.
A virada: a busca por marca era a que escapava
Aqui está o que me fez escolher essa pauta.
Até o ano passado, a conversa era outra. A própria Ahrefs tinha medido, em novembro de 2025, que o AI Overview aparecia muito mais em busca genérica do que em busca por marca. Fazia sentido: quem digita o nome de uma empresa já sabe o que quer, e o Google não precisava resumir nada.
Essa diferença praticamente sumiu. A distância entre os dois grupos caiu de 12,2 pontos percentuais em julho para 5 pontos em setembro. As buscas sem marca também subiram no período, mas só 4,8 pontos.
Traduzindo para o seu caixa: a busca pelo nome da sua empresa era o último território onde o clique ainda era seu por direito. Era ela que o painel mostrava como tráfego de marca, aquele que você considerava garantido. Essa garantia acabou de encolher.
E não é teoria sobre o clique. A mesma Ahrefs já tinha medido que, onde existe resposta gerada, o primeiro colocado perde até 58% dos cliques, número que eu destrincho em O clique do primeiro lugar caiu 58% onde a IA responde.
Quem responde por você: Wikipédia, YouTube e LinkedIn
A segunda parte do estudo é um recorte menor e, para mim, mais incômodo.
A Ahrefs pegou os nomes puros de 100 marcas da lista Best Global Brands 2025 da Interbrand e acompanhou em 14 medições semanais. Em 30 de setembro, 63 dessas 100 marcas tinham AI Overview na busca pelo próprio nome. Em 1º de julho eram 5, de 98 resultados aproveitáveis.
Dessas 63, 48 apareceram na primeira posição, 76,2%, com posição média de 1,49. Ou seja: a resposta gerada não fica num cantinho da página, ela fica em cima do site oficial da empresa.
E de onde vem a informação dessa resposta? Entre os 57 AI Overviews com lista de fontes visível, a Wikipédia apareceu em 41, 71,9%. Depois o YouTube, em 22, e o LinkedIn, em 13.
Pare um segundo nisso. Quando alguém busca o nome da sua empresa, a primeira coisa na tela é um texto escrito pelo Google, baseado principalmente na sua página da Wikipédia e em vídeos do YouTube que, muito provavelmente, não são do seu canal oficial.
A Wikipédia até é uma fonte razoavelmente neutra. Já vídeo de terceiro sobre o seu produto é outra história: pode estar desatualizado, pode ser de um concorrente comparando, pode ser uma reclamação antiga. E você não tem como editar.
Isso conecta direto com o que eu já tinha mostrado em A IA cita a minha marca se encontrar o meu site?: quando o seu próprio domínio entra na lista de fontes, a menção à marca sobe de 2,8% para 49%. O caminho é o mesmo aqui. Ou o seu site está entre as fontes, ou a Wikipédia fala por você.
O medo que não se confirmou
Tem uma boa notícia no estudo, e eu não vou escondê-la para fazer o texto parecer mais dramático.
O medo imediato de quem lê isso é o concorrente aparecer na resposta sobre a sua marca. Não foi o que a Ahrefs encontrou. Dos 58 AI Overviews em que dava para ler o texto inteiro, só 2 citaram concorrentes explicitamente, 3,4%: o da Pepsi mencionou a Coca-Cola ao falar da guerra dos refrigerantes, e o da Intel citou TSMC e NVIDIA.
E, nas listas de fontes, só um site comprovadamente de concorrente apareceu, entre 57 listas. O mecanismo parece evitar isso de propósito.
Então o problema não é o concorrente invadindo a sua resposta. É mais sutil e mais difícil de resolver: é terceiro neutro controlando a narrativa, e você fora dela.
O que esse número não diz
Três ressalvas, porque esse dado vai circular torto.
É Google americano, em desktop. Não é Brasil, não é celular. Que o mesmo esteja acontecendo aqui é leitura minha, pelo que acompanho nos resultados todo dia, não um número que alguém publicou.
São duas amostras diferentes. Os 82,91% vêm do recorte grande, com qualquer busca que contenha o nome de uma marca. Os 63 de 100 e o 71,9% da Wikipédia vêm do recorte pequeno, só com o nome puro da marca. Misturar os dois é o erro mais fácil de cometer aqui.
Aparecer não é perder venda. O estudo mede presença da resposta e origem das citações. Não mede faturamento. A ponte entre as duas coisas é a queda de clique já medida, e eu trato dela como o que é: outro estudo, outro recorte.
Onde isso deixa você
Se você media sucesso pelo tráfego de marca, essa linha vai cair sem que nada tenha piorado no seu trabalho.
O que eu passei a fazer: buscar o nome da empresa no Google e olhar o que aparece acima do site dela. Se tiver resposta gerada, ler o texto inteiro e conferir de onde vieram as fontes. Em metade dos casos que eu olhei, o cliente nunca tinha visto aquela tela.
Depois disso, o trabalho é de entidade, não de página: página da Wikipédia correta e atualizada, canal próprio no YouTube respondendo as dúvidas reais do produto, LinkedIn da empresa com a descrição certa. É menos glamouroso que escrever artigo, e hoje pesa mais.
Sobre por que esse trabalho não é a mesma coisa que SEO, escrevi em Qual é a diferença entre SEO e GEO?. E se a dúvida for se o esforço se paga, o método que eu uso para medir está em Investir em GEO vale a pena?.
A busca pelo seu nome deixou de ser a sua casa. Virou uma sala onde outros falam de você, e você entra se for citado.
Perguntas frequentes
- O Google mostra resposta de IA quando alguém busca pelo nome da minha empresa?
- Na maioria das vezes, sim. A Ahrefs analisou 232,8 milhões de buscas do Google americano em desktop entre julho e setembro de 2026 e mediu que, em 29 de setembro, 82,91% das buscas por marca já mostravam um AI Overview. A média mensal de setembro foi 73,3%, contra 61,3% em julho.
- A resposta da IA aparece antes do site da própria marca?
- Em geral sim. Num recorte separado da Ahrefs, com os nomes de 100 marcas da lista Best Global Brands 2025 da Interbrand, 63 delas tinham AI Overview em 30 de setembro de 2026. Dessas 63, 48 apareceram na primeira posição, ou seja, 76,2%, com posição média de 1,49. A resposta gerada fica acima do site oficial.
- Quais sites o Google cita quando responde sobre uma marca?
- Terceiros, principalmente. No mesmo recorte de 100 marcas da Ahrefs, entre os 57 AI Overviews com lista de fontes visível, a Wikipédia apareceu em 41 deles, 71,9%, seguida do YouTube com 22 e do LinkedIn com 13. São três páginas que a empresa não controla, falando sobre ela, acima do site dela.