A IA cita a minha marca se encontrar o meu site?
Quase sempre: a menção à marca vai de 2,8% para 49% no GPT quando o seu domínio está entre as fontes, mediu o arXiv. Onde entra o trabalho de SEO.
Por Thiago Thomaz Khoury da Silva
Neste artigo
- O que o estudo mediu
- A escada de quatro degraus
- A mesma pergunta, repetida muitas vezes
- Quem já apareceu tende a aparecer de novo
- O que esse estudo não prova
- Onde isso deixa você
Na maior parte das vezes, sim. Quando o domínio da empresa não aparece na lista de fontes que o motor guardou daquela resposta, a marca é mencionada em 2,8% das respostas do GPT. Quando aparece, o número vai para 49,0%. É o achado de um estudo publicado no arXiv em 19 de setembro de 2026.
O que o estudo mediu
O trabalho se chama From Prompt to Recommendation: A Fitted Stage Model of Brand Visibility in AI Search, de Benjamin Tannenbaum, e analisa 34.960 observações de prompt e motor, de 75 projetos de monitoramento, cobrindo 2.854 perguntas distintas, com rodadas repetidas no GPT e no Gemini entre junho e setembro de 2026.
Um detalhe do método é o que dá valor ao resto: todas as perguntas são não marcadas. Ninguém escreveu o nome da empresa na pergunta. São perguntas de categoria, do tipo que um comprador faz quando ainda não decidiu para quem ligar.
O autor separa dois sinais observáveis enquanto a resposta é montada. O primeiro ele chama de exposição do domínio próprio: a URL do domínio registrado da empresa aparece na lista de fontes daquela resposta. O segundo é o fan-out de marca: o nome da empresa aparece em pelo menos uma das consultas de busca que o motor disparou por conta própria antes de escrever.
Traduzindo para a operação: o primeiro sinal é o motor ter achado o seu site. O segundo é o motor ter ido procurar você pelo nome.
A escada de quatro degraus
O resultado é uma escada, e ela é bem íngreme.
Sem nenhum dos dois sinais, a marca foi mencionada em 2,8% das respostas do GPT e 3,8% das do Gemini. Essa é a linha mais sólida da tabela, porque se apoia em 15.524 observações no GPT e 13.801 no Gemini.
Com o domínio próprio nas fontes, e sem o fan-out, a menção salta para 49,0% no GPT e 58,4% no Gemini, em 1.769 e 3.415 observações.
Com os dois sinais presentes, chega a 91,4% e 100%. Aqui eu já peço cautela: essas duas casas se apoiam em 128 e 231 observações, e a linha de fan-out sozinho, que marcou 64,4% e 84,8%, tem 59 e 33. São números bonitos apoiados em pouca gente, e o autor lista isso entre as limitações.
O degrau que interessa é o primeiro para o segundo, porque é o que tem amostra: de 2,8% para 49,0% é a diferença entre não existir e ter praticamente metade de chance.
A mesma pergunta, repetida muitas vezes
A objeção óbvia é que marcas fortes atraem as duas coisas ao mesmo tempo, e a escada estaria só descrevendo quem já é grande.
O autor tenta isolar isso comparando rodadas repetidas da mesma combinação de empresa, pergunta e motor. Dentro dessas células, em que só varia se o domínio apareceu ou não nas fontes, a exposição vem associada a um aumento médio de 40,2 pontos percentuais na taxa de menção no GPT e 49,0 pontos no Gemini.
É a mesma empresa, a mesma pergunta, o mesmo motor, em dias diferentes. Isso não prova causa, mas tira do caminho a explicação mais preguiçosa.
Quem já apareceu tende a aparecer de novo
O terceiro achado é o que mais mexe com orçamento.
Quem não tinha sido mencionado na rodada anterior e também não teve o domínio nas fontes voltou a aparecer em 1,6% das respostas do GPT e 1,9% das do Gemini. Quem já tinha sido mencionado e teve o domínio nas fontes apareceu de novo em 80,5% e 83,7%.
Visibilidade em IA não zera a cada resposta. Ela tem inércia, para os dois lados. Isso toca na distinção que explico em Qual é a diferença entre SEO e GEO?: ranquear e ser citado são disputas separadas, e esta medição mostra onde elas se encostam.
O que esse estudo não prova
Quatro ressalvas, antes que alguém transforme isso em promessa de agência.
Não é causa. O próprio autor escreve que a equação é preditiva e observacional, e não uma descrição causal do funcionamento interno dos motores. Pode ser que o seu domínio entre nas fontes porque o modelo já tende a você, e não o contrário. Essa leitura é minha, e eu não vou vendê-la como número.
Os dados vêm de uma ferramenta. São projetos de monitoramento de uma plataforma comercial, anonimizados, não um sorteio de marcas. O autor lista sete limitações, entre elas o fato de o desenho não ter sido pré-registrado e de o recorte de fan-out ter só 80 perguntas, das quais 20 dispararam o fan-out.
Menção não é recomendação. Aparecer no texto não significa ser indicado, nem clicado, nem comprado. Essa distinção eu já tinha tratado em A IA gera tráfego para o meu site?, onde só duas marcas de quinze apareciam ao mesmo tempo nas listas de mais mencionadas e de mais citadas como fonte.
Não é o Brasil. São motores em inglês e projetos de fora. Ninguém mediu isso aqui ainda.
Onde isso deixa você
Esse estudo não derruba o que já sabíamos, ele encaixa uma peça que faltava.
Em Por que a IA não recomenda a minha marca?, o sinal mais forte para ser recomendado era o interesse de busca pelo nome. Em Formatar o conteúdo faz a IA citar o meu site?, mexer na estrutura da página rendia mais espaço para quem já estava na resposta, mas não provou ser a porta de entrada. Agora aparece uma candidata a porta: o seu domínio estar entre as fontes daquela resposta específica.
Três coisas que eu faria com isso na mão.
Pare de tratar indexação como assunto vencido. Se o robô que alimenta a resposta não consegue ler a sua página, você está no degrau de 2,8%. Vale revisar as regras de bloqueio que você tem hoje, especialmente depois da separação de robôs por finalidade que eu expliquei em O que muda com o bloqueio de robôs de IA da Cloudflare.
Meça o degrau, não só o resultado. Quando você fixar as perguntas que quer acompanhar, registre também se o seu domínio apareceu nas fontes daquela resposta. É um diagnóstico melhor do que o sim ou não da menção, e cabe direto no método que descrevo em Investir em GEO vale a pena?.
E trate a primeira menção como investimento, não como vitória. Pelos números de persistência, sair do zero é a parte cara. Depois disso, o sistema trabalha um pouco a seu favor.
A máquina não adivinha a sua marca. Ela lê o que achou na hora, e o seu site precisa estar nessa pilha.
Perguntas frequentes
- A inteligência artificial cita a minha marca se encontrar o meu site?
- Quase sempre. Um estudo publicado no arXiv em 19 de setembro de 2026 analisou 34.960 observações de perguntas que não citavam nenhuma marca, no GPT e no Gemini, entre junho e setembro de 2026. Quando o domínio da empresa não estava na lista de fontes daquela resposta, ela foi mencionada em 2,8% das vezes no GPT e 3,8% no Gemini. Quando estava, subiu para 49,0% e 58,4%.
- O que é o fan-out de marca numa resposta de inteligência artificial?
- É quando o próprio motor, ao montar a resposta, dispara uma consulta de busca que contém o nome da empresa. No estudo do arXiv de setembro de 2026, as respostas que tiveram o domínio próprio nas fontes e também esse fan-out de marca mencionaram a empresa em 91,4% das vezes no GPT e em 100% no Gemini, mas essas duas linhas se apoiam em apenas 128 e 231 observações.
- Ser mencionado pela IA uma vez ajuda nas próximas respostas?
- Os números indicam que sim, embora o estudo não prove causa. No mesmo trabalho do arXiv, quem não tinha sido mencionado na rodada anterior e também não teve o domínio nas fontes voltou a aparecer em 1,6% das respostas do GPT e 1,9% das do Gemini. Quem já tinha sido mencionado e teve o domínio nas fontes apareceu de novo em 80,5% e 83,7%.