Thiago Khoury

O ChatGPT tem anúncios? O que esperar dos anúncios nas IAs

Sim, desde fevereiro de 2026 nos EUA e desde agosto no Brasil, só nos planos Free e Go. O que OpenAI, Google e Perplexity decidiram, e o que vem por aí.

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O ChatGPT tem anúncios, sim, e no Brasil desde agosto. Não é mais pergunta de futuro: a OpenAI começou o teste nos Estados Unidos em 9 de fevereiro de 2026, abriu a compra por autoatendimento em maio, chegou ao Brasil em agosto e, em 16 de setembro, anunciou o formato que eu acho que define o que vem: um agente patrocinado com quem a pessoa conversa depois de clicar no anúncio.

Neste texto eu separo o que já está no ar, o que é compromisso das empresas, o que é leitura minha, e o que fazer com isso.

O que já existe, e desde quando

A linha do tempo, toda dela em anúncio oficial da OpenAI:

9 de fevereiro de 2026. Começa o teste nos Estados Unidos, para usuários adultos dos planos Free e Go. Plus, Pro, Business, Enterprise e Education ficam sem anúncio. O anúncio aparece abaixo da resposta, marcado como patrocinado e separado dela. Não aparece perto de temas sensíveis, como saúde, saúde mental e política, nem para quem tem menos de 18 anos.

5 de maio de 2026. A OpenAI abre o Ads Manager em beta de autoatendimento, e junto a compra por CPC. Até então era só CPM, e só com um grupo pequeno de anunciantes. Entram as agências Dentsu, Omnicom, Publicis e WPP como parceiras, e ferramentas como Adobe, Criteo e StackAdapt. Chegam pixel e API de conversões.

11 de agosto de 2026. O ChatGPT Anúncios está no ar no Reino Unido, no México, no Brasil, no Japão e na Coreia do Sul. Uma semana depois, a empresa anuncia 31 mercados europeus, com otimização de conversão, segmentação geográfica e públicos personalizados. No mesmo texto ela diz que “dezenas de milhares de profissionais de marketing já anunciaram no ChatGPT”. É número dela, sem auditoria, e eu registro como tal.

16 de setembro de 2026. Vem o Sponsored Agent: depois de ver um anúncio, a pessoa pode abrir uma conversa, marcada como patrocinada, com um agente da empresa anunciante. Ela pergunta se a mesa cabe na sala, quantas pessoas sentam, como cuidar do acabamento, e só depois clica para o site. Em teste com anunciantes selecionados nos Estados Unidos. No mesmo dia, integrações com HubSpot e Shopify, e a criação de campanha por prompt dentro do próprio ChatGPT.

Sete meses entre o primeiro teste e um agente de vendas dentro do anúncio. Em O que esperar da IA nos próximos meses eu disse que o ciclo tinha encurtado. Este é o exemplo mais limpo que eu tenho.

O que a OpenAI prometeu, e o que ainda é promessa

A OpenAI publicou princípios e repete os mesmos três em cada expansão: a resposta não muda por causa do anúncio, a conversa não é compartilhada com o anunciante, e a pessoa controla o que vê. O anunciante recebe agregados, visualizações e cliques. Quem não quer anúncio no plano gratuito pode abrir mão dele em troca de menos mensagens por dia.

Em março, a empresa escreveu que “não estamos vendo impacto nas métricas de confiança dos consumidores” e que as taxas de rejeição dos anúncios são baixas. Eu acredito que ela mede isso. Só não consigo conferir, porque o número não foi publicado. Então trato como o que é: afirmação da parte interessada, consistente até aqui, sem verificação externa.

O ponto que eu acompanho de perto é outro. A OpenAI diz que escolhe o anúncio pelo tema da conversa, pelos chats anteriores e pela interação com anúncios anteriores. Isso é segmentação por intenção declarada em linguagem natural, coisa que nem o buscador tinha. Se a resposta continua independente, o anúncio ao lado dela é o mais bem informado da história da publicidade digital. É aí que mora o valor, e é aí que mora o risco de confiança que a Perplexity apontou, e sobre o qual falo abaixo.

O Google foi por outro caminho: o anúncio que explica

O Google já tinha anúncio no AI Mode e nos AI Overviews antes de a OpenAI começar. Em 20 de maio de 2026, no Google Marketing Live, ele anunciou dois formatos novos para o AI Mode: o Conversational Discovery, em que o Gemini monta o criativo na hora para a pergunta específica da pessoa, e o Highlighted Answer, em que um anúncio entra na lista de recomendações que o AI Mode gera.

O detalhe que muda a conversa: os dois formatos trazem, dentro do anúncio, um “explicador independente” gerado pelo Gemini, que avalia o produto e coloca esse contexto ao lado do criativo do anunciante. O Google chama isso de transparência. Eu chamo de a IA opinando sobre o anúncio que ela mesma exibe, e ainda não sei o que isso faz com a confiança de quem lê.

Junto vieram o Business Agent for Leads, o agente da marca dentro do anúncio, mesma direção do Sponsored Agent da OpenAI, e a expansão do Direct Offers, o piloto de ofertas que roda desde janeiro de 2026 com Chewy, Gap e L’Oréal, agora com checkout dentro da resposta.

Duas empresas, dois caminhos, uma mesma peça no fim: um agente da marca conversando com o comprador antes do clique.

Quem disse não

A Perplexity foi uma das primeiras a colocar anúncio em resposta de IA e foi a primeira a tirar. Em 17 de fevereiro de 2026, executivos disseram ao Financial Times, em reportagem que a PYMNTS resumiu, que não há planos de voltar. A frase que importa: “o usuário precisa acreditar que esta é a melhor resposta possível” e “o desafio com anúncios é que o usuário passaria a duvidar de tudo”.

A Anthropic, que faz o Claude, publicou em 4 de fevereiro de 2026 que o produto vai continuar sem anúncio, sem link patrocinado ao lado da conversa e sem influência de anunciante na resposta. O argumento dela é sobre incentivo: anúncio empurra a otimizar tempo de uso, e a resposta mais útil às vezes é a mais curta.

Não estou dizendo que um lado está certo. Estou dizendo que o mercado de resposta por IA se dividiu em dois modelos de negócio em menos de um ano, e que essa divisão vai definir onde a sua marca pode pagar para aparecer e onde ela só aparece se merecer.

O que esperar nos próximos meses

Aqui é leitura minha, montada sobre o que as empresas já publicaram, não previsão com número.

O agente dentro do anúncio vira o formato principal. OpenAI e Google lançaram a mesma peça com um mês de diferença. Quando dois concorrentes convergem, o mercado segue.

A compra vira performance comum. CPC, pixel, API de conversão, otimização por objetivo, integração com HubSpot e Shopify. A OpenAI construiu em sete meses o que o Google levou anos para montar, porque copiou o desenho pronto. Quem sabe operar mídia de performance já sabe operar isso.

Pago e orgânico passam a disputar a mesma tela. É a consequência que menos gente está olhando. A resposta independente cita quem merece, e o anúncio ao lado mostra quem pagou. A distância entre os dois vai ser medida pelo leitor, e a marca que aparece nas duas colunas ganha o benefício da confirmação. É o mesmo raciocínio de Qual é a diferença entre SEO e GEO, agora com uma coluna paga.

O tráfego continua pequeno, e isso não é o ponto. Em A IA gera tráfego para o meu site? mostrei que o encaminhamento medido é de meio por cento. Anúncio na IA vai enfrentar a mesma pergunta, e a resposta vai ser a mesma: a influência acontece antes do clique, e o agente patrocinado é justamente a tentativa de capturar essa conversa antes que ela vá para o buscador.

O que eu não sei, e ninguém publicou: preço médio do clique, taxa de conversão, e o que acontece com a confiança quando o volume de anúncio subir. Quem te disser esses números hoje está inventando.

Onde isso deixa você

Se a sua empresa vende para gente que já pesquisa no ChatGPT, e em Como a IA mudou a decisão de compra eu mostrei como essa pesquisa saiu do buscador e entrou na conversa, o canal existe, está aberto no Brasil e tem barreira de entrada baixa.

O que eu faria agora: uma conta em ads.openai.com, uma verba pequena de teste, e a atenção nas perguntas que disparam o anúncio, não no clique. Esse relatório vai te ensinar em que momento da conversa a sua categoria entra, e isso serve tanto para a mídia paga quanto para o trabalho orgânico de ser citado.

E uma regra que eu adoto desde já: não anunciar onde a marca não consegue ser citada organicamente. A coluna paga sem a coluna orgânica é o anúncio que o leitor desconfia.

Perguntas frequentes

O ChatGPT tem anúncios?
Sim. A OpenAI começou a testar anúncios no ChatGPT em 9 de fevereiro de 2026, nos Estados Unidos, e em 11 de agosto de 2026 o ChatGPT Anúncios já estava no ar no Brasil, no Reino Unido, no México, no Japão e na Coreia do Sul. O anúncio aparece só para usuários adultos dos planos Free e Go, abaixo da resposta, marcado como patrocinado. Plus, Pro, Business, Enterprise e Education não têm anúncio.
Os anúncios mudam a resposta do ChatGPT?
A OpenAI afirma que não: a resposta é gerada de forma independente e o anúncio é escolhido depois, pelo tema da conversa, pelos chats anteriores e pela interação anterior com anúncios. O anunciante recebe só dados agregados, como visualizações e cliques, e não vê a conversa. Isso é o compromisso publicado pela empresa em fevereiro de 2026, não uma auditoria independente.
Como anunciar no ChatGPT no Brasil?
Pelo Ads Manager da OpenAI, em ads.openai.com, que abriu em versão beta de autoatendimento em 5 de maio de 2026 e aceita compra por CPM ou CPC, com pixel e API de conversões. Também dá para comprar por agências parceiras, como Dentsu, Omnicom, Publicis e WPP, e, a partir de 23 de setembro de 2026, pelo aplicativo ChatGPT Ads na loja da Shopify nos mercados onde o produto existe.