O que esperar da inteligência artificial nos próximos meses
Agentes que executam, busca em tempo real e a disputa por espaço na resposta. O que eu acompanho de perto e o que já dá para começar a fazer agora.
Por Thiago Thomaz Khoury da Silva
Neste artigo
- O ciclo encurtou
- Agentes que executam, e não só respondem
- Busca em tempo real muda o relógio das relações públicas
- A disputa por espaço dentro da resposta
- O que dá para fazer agora
Antes de listar o que vem, um aviso sobre o gênero do texto: isto é leitura de cenário, não previsão com número. Onde eu tiver dado medido, cito a fonte. Onde for a minha leitura, digo que é a minha leitura. Achismo com cara de estatística é o que mais circula sobre esse assunto, e é o que menos ajuda.
O ciclo encurtou
A tecnologia costumava dar tempo para o mercado respirar. Em A revolução mobile contei como as empresas tiveram alguns anos para adaptar sites e processos ao celular.
Com a inteligência artificial, esse intervalo encolheu. O que era demonstração de laboratório em um semestre vira ferramenta corporativa no seguinte. Em Como a IA mudou a decisão de compra descrevi o efeito disso na jornada. Aqui o assunto é o que vem depois.
Agentes que executam, e não só respondem
Até agora usamos os sistemas generativos como oráculo: pergunta entra, resposta sai, a pessoa decide.
O movimento seguinte é o agente que executa. Em vez de responder quais são as três melhores opções, ele pesquisa, compara, escolhe e agenda. A decisão de compra passa a ter um intermediário de software que filtra candidatos antes de qualquer humano olhar.
A consequência para marcas é direta, e é a mesma coisa que eu venho repetindo por outro caminho: um programa não dá o benefício da dúvida. Se os seus dados corporativos se contradizem pela internet, o agente não investiga, ele descarta e segue para o próximo da lista.
Busca em tempo real muda o relógio das relações públicas
Nos primeiros anos, os modelos eram limitados ao corte do treinamento. Se o modelo aprendeu até certa data, ele não sabia de nada depois disso.
Isso vem mudando com o RAG, sigla para Retrieval-Augmented Generation: o sistema consulta a web no momento da pergunta e monta a resposta com o que encontra. Ferramentas como o Perplexity e os modos de busca do ChatGPT já operam assim.
O efeito prático é sobre velocidade, não sobre volume. Uma publicação bem posicionada em um veículo confiável pode virar fonte de resposta em prazo curto, sem esperar ciclo de treinamento nenhum. Isso aproxima o trabalho de assessoria de imprensa do trabalho de visibilidade em IA, duas coisas que o mercado ainda trata como departamentos separados.
A disputa por espaço dentro da resposta
A minha leitura é que os orçamentos vão migrar, e que a janela atual é curta. Não vou colocar um número em quantas empresas brasileiras já fazem isso, porque os números que circulam sobre isso vêm de páginas de venda de agência, sem metodologia declarada, e eu não uso esse tipo de dado.
O que dá para afirmar com fonte é a distância entre mercados. O estudo Ghost Citations, da Semrush, mediu marcas brasileiras sendo citadas em 18% a 22% das respostas generativas, contra cerca de 50% na Índia e na Suécia.
Enquanto essa diferença existir, existe espaço pouco disputado. Quando ela fechar, o custo de entrar vai ser outro. Foi assim com o clique de centavos no início do Google Ads, que contei em A era de ouro do tráfego, e não vejo razão para ser diferente agora.
O que dá para fazer agora
Nada do que vem a seguir depende de adivinhar o futuro. Depende de arrumar a casa:
Declarar a identidade de forma consistente. Mesmo nome, mesmos dados, mesma descrição em todo lugar, com os vocabulários do Schema.org no código. É o que separa uma entidade reconhecível de um conjunto de páginas soltas.
Escrever resposta autossuficiente. Texto que resolve uma pergunta específica em poucas linhas, sem depender do resto da página, é o que sai citado.
Construir prova externa. Menção em veículo de imprensa e presença consistente fora do próprio domínio pesam, e em alguns setores pesam mais que o site.
A parte de decidir se isso se paga, e como medir sem inventar métrica, está em Investir em GEO vale a pena?.
Perguntas frequentes
- O que são agentes autônomos de inteligência artificial?
- São sistemas que não apenas respondem a uma pergunta, mas executam uma sequência de tarefas em nome do usuário, como pesquisar fornecedores, comparar opções e agendar um contato. A diferença prática é que a marca deixa de ser avaliada por uma pessoa e passa a ser filtrada por um programa, que descarta o que não consegue interpretar com segurança.
- O que é RAG e por que ele importa para marcas?
- RAG, de Retrieval-Augmented Generation, é a técnica em que o sistema consulta a web no momento da pergunta em vez de depender só do que aprendeu no treinamento. Para marcas, isso significa que uma publicação recente pode virar fonte de uma resposta em pouco tempo, sem esperar um novo ciclo de treinamento do modelo.
- Ainda dá tempo de se preparar para essa mudança?
- Dá, e o indicador mais concreto disso é a distância entre mercados. O estudo Ghost Citations, da Semrush, mediu marcas brasileiras sendo citadas em 18% a 22% das respostas generativas, contra cerca de 50% na Índia e na Suécia. Enquanto essa diferença existir, há espaço pouco disputado.