Thiago Khoury

O meu site caiu no Google ou a ferramenta errou?

Pode ser a ferramenta: 22,6% dos resultados servidos a uma ferramenta de posição vieram trocados desde setembro, mediu a Nozzle. Como conferir a queda.

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Pode ser a ferramenta. Entre 13 de setembro e 21 de outubro de 2026, 22,6% das páginas de resultado entregues a uma ferramenta de acompanhamento de posição vieram com os sites trocados, mediu a Nozzle, contra 0,28% nas semanas anteriores. Se o seu relatório mostrou um tombo em setembro ou outubro, a primeira coisa a fazer não é mexer no site: é conferir se a queda existe.

O que a Nozzle mediu

A Nozzle é uma empresa americana de acompanhamento de posição. Publicou o levantamento em 10 de outubro e atualizou em 21 de outubro de 2026, e o que me faz confiar nele é que declara a conta inteira, coisa que quase nenhum número de mercado faz hoje.

A amostra: 56,1 milhões de páginas de resultado julgadas, 29,9 milhões delas a partir de 13 de setembro, em 53 países, em computador, iPhone e Android.

A definição também está escrita, e isso importa mais que o percentual. A Nozzle montou uma linha de base de 20 de agosto a 9 de setembro, anotando quais sites costumam ocupar o topo de cada palavra, e classificou como envenenada a página em que menos da metade deles aparece em algum lugar. Não é página vazia nem erro de conexão: é uma página completa, bem formada, com os sites errados dentro.

O resultado: 22,6% das páginas julgadas desde 13 de setembro, contra 0,28% na linha de base. O pico foi 43,5% em 30 de setembro, e em 21 de outubro ainda estava em 35,7%, depois de ficar abaixo de 6% nos dias 14 e 15. Não é apagão: é oscilação forte, dia a dia.

O número que muda a sua reunião de segunda

Esse é o dado que eu levaria para a reunião, e não o 22,6%.

Quando a página vinha envenenada, o site acompanhado pelo cliente, que normalmente estava entre os dez primeiros daquela palavra, ficou fora do top 10 em 60,8% dos casos. Na linha de base, isso acontecia em 2,7%.

Em seis de cada dez páginas envenenadas, o painel mostrou para o gestor exatamente aquilo que mais assusta: o site sumiu da primeira página. E sumiu na medição, não na busca.

Tem uma notícia boa junto: 67,9% das páginas envenenadas já apareciam normais em até três dias, e 92,5% em até duas semanas. A queda que volta sozinha em três dias nunca foi queda.

A Ahrefs diz a mesma coisa por dentro

Em 22 de outubro de 2026, a Ahrefs publicou um aviso aos clientes sobre o envenenamento dos resultados e assumiu o problema com as próprias palavras: dependendo do fornecedor de dados, ela está vendo entre 5% e 20% dos resultados de busca afetados. A Ahrefs chama aquilo de problema da indústria inteira e diz que já criou filtros para detectar resultado anormal, descartar e pedir outro, além de estar limpando dados antigos que possam ter sido afetados.

O aviso é honesto em dois pontos: a Ahrefs não publicou amostra, metodologia nem data de início para essa faixa, dizendo apenas que o problema cresceu nas últimas semanas, e deixa claro que não é defeito do produto dela, é o que o Google está entregando.

Os dois números não batem, e não é contradição: cada empresa conta dentro do seu próprio conjunto de palavras, de países e de critério, e a própria Ahrefs diz que a taxa varia por fornecedor.

Por que o Google faria isso

Fato: o Google não comentou publicamente o assunto. Nenhuma das duas fontes traz declaração dele.

Leitura da Nozzle: ela descreve o comportamento como resposta do Google à coleta em massa de resultados por empresas de inteligência artificial, que usam a página de busca para embasar resposta gerada. Quem acompanha posição coleta igual, e acaba no meio.

Leitura minha, nos meus dezenove anos de mercado: faz sentido econômico. O resultado de busca sempre foi o ativo mais copiado da internet, e virou insumo de um concorrente direto. O que o ChatGPT faz com busca eu detalho em O ChatGPT pesquisa a minha palavra-chave? Quase nunca, e a defesa do Google sai caro para quem nunca copiou nada: a agência, o consultor e o dono do site, que pagam por um dado que agora precisa ser conferido.

Como eu confiro antes de mexer no site

O roteiro que eu uso quando um cliente chega com o print da queda:

Primeiro, repito a busca numa janela anônima e olho com os olhos. Segundo, abro o Search Console, que mede clique e impressão do próprio site e não depende de ninguém raspar o Google. Se o clique não caiu, não houve queda de verdade. Terceiro, espero três dias e meço de novo, porque dois terços dos casos se resolvem nesse prazo. Quarto, só então pergunto se mudou algo no site, no conteúdo ou em link.

Nessa ordem. Já vi reescrever página boa por causa de gráfico errado, e isso custa mais que a queda imaginária.

E se a queda for real, a explicação mais provável de 2026 não é penalidade: é o Google responder na própria página. Onde aparece resposta gerada, o clique do primeiro colocado cai até 58%, como mostro em O clique do primeiro lugar caiu 58% onde a IA responde.

O que esse número não diz

Três ressalvas, porque esse dado vai virar manchete torta.

Vem de quem vende a ferramenta. Nozzle e Ahrefs vendem dado de busca, e o problema afeta o produto delas. Isso não invalida o número, principalmente o da Nozzle, que abriu amostra e critério, mas é bom saber de onde vem.

Não mede o seu site. São as palavras que a Nozzle acompanha para os clientes dela, não a internet toda, e não o Brasil em particular.

Não prova intenção. Prova que páginas chegaram trocadas e que isso cresceu muito. Se o Google fez de propósito, e por quê, é leitura, não medição.

Onde isso deixa você

A conclusão prática é pequena e vale dinheiro: posição em painel não é mais medida confiável sozinha, e precisa de segunda fonte antes de virar decisão.

Mais um motivo para medir resultado por clique e por receita, e não por posição. É a mesma lição que eu tirei do tráfego que a inteligência artificial encaminha, em A IA gera tráfego para o meu site?, e o método que eu uso para medir sem inventar métrica está em Investir em GEO vale a pena?.

E a disputa maior continua onde eu venho dizendo: entre ranquear e ser citado dentro da resposta, em Qual é a diferença entre SEO e GEO?.

Perguntas frequentes

O meu site caiu no Google ou a ferramenta errou?
Pode ser a ferramenta. A Nozzle mediu que 22,6% dos resultados de busca entregues à ferramenta de acompanhamento de posição dela vieram trocados entre 13 de setembro e 21 de outubro de 2026, contra 0,28% no período anterior. Antes de concluir que caiu, repita a busca no navegador e confira o clique no Search Console.
O que é um resultado de busca envenenado?
É uma página de resultados que o Google entrega completa, mas com os sites errados. A Nozzle classifica como envenenada a página em que menos da metade dos sites que costumam ocupar o topo daquela palavra aparece em algum lugar dela. O usuário comum não vê isso: quem recebe a página trocada é a ferramenta que coleta resultado em escala.
As ferramentas de SEO assumiram o problema?
A Ahrefs assumiu em 22 de outubro de 2026, dizendo que entre 5% e 20% dos resultados são afetados, com variação por fornecedor de dados, e que o problema atinge a indústria toda. Ela não publicou amostra nem metodologia para essa faixa. O Google não comentou publicamente até agora.