As perguntas relacionadas do Google são respondidas por IA?
Sim: 97% das respostas do bloco de perguntas relacionadas do Google já são geradas por IA, mediu a AlsoAsked em setembro de 2026. Era 12,6% em 2025.
Por Thiago Thomaz Khoury da Silvaatualizado em
Neste artigo
- O que a AlsoAsked mediu
- De um oitavo para quase tudo em catorze meses
- O que acabou ali: a resposta com dono
- O que esse número não diz
- Onde isso deixa você
Quem escreve as respostas do People Also Ask, aquele bloco de perguntas relacionadas que o Google abre no meio dos resultados, não é mais o seu site. É o próprio Google. Na primeira semana de setembro de 2026, 97% dessas respostas já eram geradas por inteligência artificial, medição da AlsoAsked sobre 19,2 milhões de consultas em inglês. Em agosto eram 86%.
O que a AlsoAsked mediu
A AlsoAsked faz uma coisa só: coleta as perguntas que o Google mostra naquele bloco. Quem a mantém é Mark Williams-Cook, e o número acima saiu da base dela, 19,2 milhões de consultas em inglês feitas em 2026.
Ele publicou a medição no LinkedIn, não em relatório fechado com metodologia auditável, e eu prefiro dizer isso do que fingir que li um estudo revisado. O que dá para conferir é o tamanho da base declarada e a série: 86% em agosto, 97% na primeira semana de setembro, com a leitura dele de que os 100% chegam em poucas semanas.
E não é uma medição sozinha. A Allintitle, que mantém uma ferramenta parecida, acompanhou 6.000 perguntas do bloco entre novembro de 2025 e setembro de 2026 e chegou ao mesmo lugar por outro caminho: o mecanismo antigo, aquele que devolvia a resposta atribuída a um site só, respondia em cerca de 70% das vezes em maio de 2026, caiu para 25,8% no fim de julho e parou de responder em agosto.
Duas empresas, duas bases diferentes, mesmo resultado. É o tipo de convergência que me faz confiar num número publicado fora de um relatório formal.
De um oitavo para quase tudo em catorze meses
Em 3 de julho de 2025, o mesmo Williams-Cook tinha medido 12,6% das respostas do bloco geradas pelo Google. Os outros 87,4% vinham de um site citado com nome e link.
Catorze meses depois, a proporção é 97%. Isso não é tendência, é troca de mecanismo concluída enquanto quase ninguém olhava, porque aquele bloco nunca foi o que aparecia no relatório mensal.
Em dezenove anos de mercado digital eu vi o Google mudar de ideia sobre muita coisa, e o padrão é sempre o mesmo: o que muda não vem anunciado, vem medido depois por quem estava com o contador ligado.
O que acabou ali: a resposta com dono
Vale lembrar o que aquele bloco era. Você respondia bem uma pergunta, o Google puxava o seu trecho, colocava o seu nome embaixo e um link. Era um dos poucos lugares da página de resultados onde um site só era a resposta.
O que existe hoje no lugar é um texto escrito pelo Google com um conjunto de fontes ao lado, no mesmo formato do AI Overview. Ninguém é mais a resposta. Você passa a ser uma das fontes, quando é.
Essa é exatamente a fronteira que eu tento explicar quando falo da diferença entre SEO e GEO: o SEO disputa posição numa lista, o GEO disputa menção dentro de um texto que outra pessoa escreveu. O People Also Ask atravessou essa fronteira inteiro, em catorze meses.
E casa com o que já tinha sido medido do lado do clique, por gente diferente e por método diferente: onde a resposta aparece pronta na página, o clique do primeiro colocado cai até 58%.
O que esse número não diz
Três cuidados, porque esse dado vai circular torto nas próximas semanas.
A base é de consultas em inglês. Não existe, até onde eu procurei, medição pública equivalente para o Brasil. Que o mesmo mecanismo esteja rodando aqui é leitura minha, pelo que vejo nos resultados que acompanho todo dia, e não um número que alguém publicou.
97% não é 100%. Sobra uma fatia com a resposta atribuída, e ninguém garantiu que ela vai a zero, nem que vai continuar existindo.
E o número não mede tráfego. Ele mede quem escreve a resposta, não quanto clique aquele bloco ainda manda para fora do Google. São duas perguntas diferentes, e misturar as duas é o erro mais comum nessa conversa.
Onde isso deixa você
Se uma parte do seu tráfego vinha de responder perguntas curtas e diretas melhor que os outros, essa parte não volta no formato antigo. O trabalho mudou de lugar, não de importância.
O que eu passei a olhar: quais das perguntas do seu assunto ainda abrem resposta com fonte atribuída, quais já viraram resposta do Google, e, nessas, se o seu domínio aparece entre as fontes ao lado. Ser citado ali é o que restou do que antes era ser o primeiro.
Se a dúvida for se vale a pena montar esse acompanhamento, escrevi como eu meço isso sem inventar métrica em Investir em GEO vale a pena?. E se o assunto for quem pode ler o seu conteúdo para gerar essas respostas, o bloqueio de robôs de IA da Cloudflare mexeu nessa regra neste mesmo mês.
O bloco continua lá, no mesmo lugar da página. Só que agora quem responde é o Google, e o seu nome, quando aparece, aparece do lado.
Perguntas frequentes
- Quem escreve as respostas do People Also Ask do Google?
- Hoje é o próprio Google, na quase totalidade dos casos. A AlsoAsked mediu que 97% das respostas do bloco na primeira semana de setembro de 2026 eram geradas por inteligência artificial, contra 86% em agosto, numa base de 19,2 milhões de consultas em inglês feitas em 2026.
- Quanto isso mudou em relação ao ano passado?
- Mudou quase por inteiro. Em 3 de julho de 2025 a mesma AlsoAsked mediu 12,6% das respostas do bloco geradas pelo Google, e o resto vinha atribuído a um site citado. Em catorze meses a proporção foi de 12,6% para 97%.
- Ainda dá para aparecer no bloco de perguntas relacionadas?
- Dá, mas como fonte citada ao lado da resposta, não como dono dela. A Allintitle acompanhou 6.000 perguntas do bloco entre novembro de 2025 e setembro de 2026 e viu o mecanismo antigo, o que devolvia a resposta atribuída a um site só, cair de cerca de 70% em maio de 2026 para zero em agosto.