Quantas buscas de compra já têm resposta de IA? 88%
Quase todas: 88%, contra 45,75% um ano antes, mediu a Semrush em 400 buscas comerciais. As que ainda não têm pesam menos de 3% do volume de busca.
Por Thiago Thomaz Khoury da Silva
Neste artigo
- O que a Semrush acompanhou por doze meses
- A busca por avaliação foi a que mais virou
- O resto que sobrou não dá estratégia
- Aparecer não é receber visita
- O que esse estudo não diz
- Onde isso deixa você
Quase todas. Em agosto de 2026, 88% das 400 palavras-chave comerciais que a Semrush acompanha no Google dos Estados Unidos já abriam com um AI Overview, contra 45,75% em setembro de 2025. Ponderando pelo volume de busca, a conta sobe para 97,08%.
O que a Semrush acompanhou por doze meses
O estudo saiu em 21 de outubro de 2026, assinado por Luke Harsel, e tem um desenho que eu gosto: painel fixo. São sempre as mesmas 400 palavras-chave, medidas mês a mês de setembro de 2025 a agosto de 2026, no Google americano em computador, divididas em três setores: bancos, comércio eletrônico e software.
Painel fixo importa porque elimina a dúvida mais comum diante desse tipo de número. Quando a amostra muda de um ano para o outro, o crescimento pode ser só troca de palavra-chave. Aqui não mudou: são as mesmas buscas. As que há um ano mostravam resposta gerada em menos da metade das vezes hoje mostram em quase nove de cada dez.
As palavras-chave foram agrupadas por cinco tipos de intenção comercial: alternativas a um produto, melhor produto para determinado uso, preço e custo, avaliações, e marca contra marca. É o vocabulário de quem está decidindo uma compra, não o de quem está começando a estudar o assunto.
A busca por avaliação foi a que mais virou
Dentro desses cinco grupos, o que mais se moveu foi justamente o que eu menos gostaria de ver se mover.
As buscas por avaliação de produto saíram de cerca de 30% de presença em setembro de 2025 para quase 90% em agosto de 2026, o maior avanço do estudo. No recorte por setor, o comércio eletrônico foi de 32,62% para 85,11%, o maior salto entre os três. Software já começava alto, com 68% em setembro de 2025.
Leia o grupo das avaliações devagar, porque ele não é uma linha qualquer da tabela. Quem digita o nome de um produto junto da palavra avaliação não está pesquisando: está conferindo antes de pagar. É o último degrau antes do cartão. Em doze meses, esse degrau passou a ser respondido por uma máquina que resume o que terceiros escreveram sobre o produto, e o efeito disso na decisão já foi medido, como contei em A IA pode fazer o cliente desistir da compra?.
O resto que sobrou não dá estratégia
Este é o número que eu considero o mais importante do estudo, e aposto que é o que menos vai circular.
Em agosto de 2026, 12% das palavras-chave acompanhadas não acionaram AI Overview. Só que esses 12% representavam menos de 3% do volume total de busca do grupo.
Traduzindo: ainda existe busca comercial sem resposta gerada, mas quase ninguém faz essas buscas. O que sobrou de território livre é cauda longa, pergunta rara, variação que aparece meia dúzia de vezes por mês.
Vou ouvir muito, nos próximos meses, a recomendação de concentrar o esforço nas palavras-chave que ainda não têm AI Overview. Esse conselho agora tem tamanho declarado: menos de três por cento do volume. Isso não é uma estratégia, é um resto.
Aparecer não é receber visita
Presença na tela não é clique, e este estudo não mede clique. Ele conta em quantas buscas a resposta gerada aparece, e só.
Quem mediu o outro lado foi a Ahrefs: onde o Google responde na própria página, o primeiro resultado orgânico perde até 58% dos cliques, como detalhei em O clique do primeiro lugar caiu 58%. E o encaminhamento que as IAs devolvem continua miúdo, 0,48% das sessões no setor industrial americano, número que destrinchei em A IA gera tráfego para o meu site?.
Junte as três medições e o desenho aparece inteiro: a resposta gerada ocupa quase toda a busca comercial, abocanha o clique de quem está no topo e devolve pouca visita. O Google anunciou em 15 de outubro de 2026 um conjunto de mudanças para dar mais espaço a links dentro da resposta, sem publicar nenhum dado de clique junto, como mostrei em O Google vai mostrar mais links na resposta da IA?.
O que esse estudo não diz
Quatro ressalvas, porque esse 88% vai virar manchete torta em duas semanas.
Não é o Brasil. É o Google dos Estados Unidos, em computador. Pela minha experiência, movimentos assim chegam aqui com atraso de meses, mas chegam. Tratar o número como retrato do mercado brasileiro de hoje seria inventar dado.
Não são todas as buscas. São 400 palavras-chave em três setores. Bancos, comércio eletrônico e software não representam a internet comercial inteira, e o próprio estudo mostra setores partindo de patamares bem diferentes.
Não mede clique, venda nem receita. Mede presença da resposta na tela. Sessão nunca foi receita, e presença é menos ainda.
Não diz que a sua empresa está dentro da resposta. Aparecer um AI Overview na busca e a sua marca ser citada nele são duas coisas separadas, e essa é a distinção que sustenta todo o resto do trabalho, como explico em Qual é a diferença entre SEO e GEO?. Liderar a lista orgânica não compra a citação na resposta.
Onde isso deixa você
Se a sua receita depende de busca comercial, a pergunta deixou de ser se a IA vai aparecer na frente do seu cliente. Ela já aparece em quase toda busca que importa, e em 97,08% do volume do grupo medido.
O que eu faço com um cliente nessa situação, na prática: separo as vinte ou trinta buscas que sustentam o caixa, confiro uma a uma se hoje elas abrem com resposta gerada, e anoto se a marca aparece dentro dessa resposta ou fica de fora. Isso vira a linha de base. Só depois disso dá para discutir o que mudar, nunca antes.
E não adianta recuar para o nome da própria empresa achando que ali é abrigo: 82,91% das buscas por marca já abrem com resposta gerada, como mostrei em A IA responde quando buscam a minha marca? Em 83%.
Oitenta e oito por cento é a conta das palavras-chave. Noventa e sete é a conta de onde o volume está.
Perguntas frequentes
- O Google mostra resposta de IA nas buscas de compra?
- Na quase totalidade delas. A Semrush acompanhou 400 palavras-chave comerciais no Google dos Estados Unidos em computador, de setembro de 2025 a agosto de 2026, e mediu AI Overview em 88% delas em agosto de 2026, contra 45,75% no começo do período. Ponderando pelo volume de busca, a presença chega a 97,08%.
- Ainda existe palavra-chave comercial sem resposta de IA?
- Existe, mas quase ninguém faz essas buscas. No estudo da Semrush publicado em 21 de outubro de 2026, os 12% de palavras-chave que não acionaram AI Overview em agosto de 2026 representavam menos de 3% do volume total de busca do grupo acompanhado. Montar estratégia em cima desse resto é disputar o que quase ninguém procura.
- Que tipo de busca comercial a IA tomou mais rápido?
- A busca por avaliação de produto. A Semrush mediu que as buscas com a palavra reviews saíram de cerca de 30% de presença de AI Overview em setembro de 2025 para quase 90% em agosto de 2026, o maior avanço entre os cinco grupos acompanhados. No recorte por setor, o comércio eletrônico subiu de 32,62% para 85,11%.